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04 fevereiro 2008

Parâmetros?

Depois de certo tempo inserido na blogosfera, é de se esperar que o blogueiro adquira maturidade no que faz. Trata-se de um fenômeno tão comum quanto o próprio existir: a aquisição de experiência.

Com o passar do tempo, o indivíduo passa a enxergar com mais crítica o trabalho dos companheiros. Ele começa a notar os detalhes que antes passavam despercebidos, ou que, para ele, não eram de importância. Os defeitos do blog alheio começam a ficar mais nítidos, óbvios e as qualidades passam a ser mais facilmente ressaltadas. Nesse aperfeiçoamento do senso crítico, uns amadurecem mais rapidamente que outros; é fato. Partirei agora para outra discussão, mas a atual ficará guardada e será devidamente resgatada na hora certa.

Dando aquelas velhas passeadas por diversos blogs, comecei a me deparar com um fato, o qual não sei se chamo de intrigante ou lamentável: a distribuição a torto e a direito (para não dizer isenta de parâmetros) de selos de reconhecimento. E faço questão de registrar que a idéia de discorrer sobre esse assunto não é repentina, datando de um bom tempo, o qual serviu para uma análise mais profunda da situação.

Pois bem, trazendo de volta a questão da maturidade blogueira, lanço mão do que já foi registrado aqui sobre esse assunto para mostrar que não há normas que definam o repasse dos referidos selos. Certas pessoas devem fazê-lo por amizade e não por levar em conta os méritos do agraciado. Por que isso? Aí está a arte dos retardatários no processo blogovolutivo. Eles não se dão o trabalho sequer de saber por que eles receberam o prêmio, não seguem uma sequência lógica de motivos para repassá-lo e não têm conhecimento da diversidade de bons blogs que existem por aí. Eis a tríade da incompetência, que se perpetua.

Nesses passeios que fiz, não foram encontrados somente dois ou três blogs que, segundo minha opinião, não mereciam estampar as honrarias, mas sim um pouco mais que uma dezena. Pode parecer pouco frente ao incontável número de blogs existentes, que aumenta a cada dia, porém, relativamente aos números de minha "pesquisa", isso representa cerca de 40% do total de selos distribuídos. Estatísticas são estatícas! E essa é uma taxa de incompetência muito alta para o nível de importância e comunicabilidade a que o mundo blogueiro chegou hoje.

Com isso, muito do que é realmente interessante é deixado à margem desse processo de reconhecimento (pelo quê, mesmo?). Posso citar alguns ótimos trabalhos que ficam de fora, ao menos por esses meios: o Capinaremos, o Pensamentos Equivocados, e o Infinito Público. Aos seus autores só resta esperar um selo desses cair nas mãos certas.

Torçamos pra que isso aconteça logo.

26 janeiro 2008

Constando presença!

Olá, caros leitores. Antes de iniciar essa postagem, pensei em como eu seria útil ao Blogger Brasil Blog. Os poucos que conhecem meu trabalho no Das Idéias de Caio Rudá sabem que passeio pelos caminhos das crônicas e contos, muitas vezes relacionados ao meu cotidiano. O estilo que resolvi adotar por aqui constitui-se, principalmente, da seguinte pequena mudança no meu perfil de blogueiro: o meu cotidiano dá espaço ao nosso cotidiano.

Por isso, para começar, escolhi um texto publicado no meu blog pessoal, cujo tema é sempre pertinente: futebol. Não se trata, no entanto, de clubismo ou discussões vazias, mas da dissecação de um fenômeno que atinge grande parte dos atletas brasileiros, que é a perda da sua identidade nacional. Espero que gostem!


Futebol, Ronaldo e uma reflexão

Realmente, foi ingenuidade acreditar que Ronaldo poderia vir para o Flamengo. É a realidade; despontam para o futebol aqui e vão para a Europa, para não mais voltar até o fim da carreira, quando o fazem.

Não lhes tiro a razão. Ganham mais por lá e vivem bem, com conforto e distantes da incerteza e insegurança que é a vida num país de indicadores sociais tão baixos como o Brasil. É juntar o útil ao agradável: enriquecer brincando. Sim, pois é isso o que os jogadores de futebol fazem. Brincam em campo. O amor, sofrimento ou alegria ficam para a torcida. Tanto faz tanto fez se o time perder o campeonato nos últimos minutos da partida. O importante é que os gordas e obesas quantias de dinheiro estarão todo mês ao seu dispor. Engana-se quem pensa que aquela comemoração fervorosa de um gol, com direito a piruetas, socos no ar, beijos no escudo do time e outras modalidades mais são reflexo de amor à camisa. É empolgação de momento. Comemora-se, de fato, mais uns extras que ganham por gol marcado, ou o respeito e fama que ganharão doravante - e conseqüentes, é óbvio, dólares, euros ou libras a mais.

Mais uma vez não lhes tiro a razão. Quem não quer ganhar dinheiro fazendo o que mais gosta? Se bem que, talvez, o que mais gostem sejam mulheres. Claro! Futebol é segundo plano. São apenas 2 ou 3 jogos por semana, mais concentração e treinos. E o que fazem nas horas vagas? Voalà! Mulheres. Eis mais motivos para as comemorações flamenjantes; gol mais um drink na danceteria é igual a mulher no carro em direção ao apartamento.

Bem, não sejamos inflexíveis. Há os que, ao invés de mulheres²³, aplicam seu jabá em imóveis, empresas, rendimentos. Lógico. São responsáveis, empreendedores. Homens com um olhar no futuro por chegar. É preciso garanti-lo. Carreira de jogador de futebol é curta. Dura lá seus 15 anos mais ou menos. Quando se aposentarem, não irão querer viver com um salário mínimo pago pela Previdência Social, como o fazem milhões de trabalhadores que deram um duro muito maior durante toda a vida.

E quem diz que jogador é bicho burro precisa rever seus conceitos. Está para nascer raça mais inteligente que essa. Burros seriam se realmente trocassem a Europa, com todas as vantagens, pelo Brasil, com todos... ahm... praias, pagode, churrasco, caipirinha... Ora, quais desses itens não podem ser encontrados ou levados para o exterior? E se no exterior não são a mesma coisa, eles vêm até aqui. Passam algumas semanas ou meses de férias, e pronto. Matou-se a saudade. É hora de retornar ao Velho Mundo. Sinal da mais pura esperteza e sabedoria!

Voltando ao caso Ronaldo, na verdade nunca vi essa transferência com olhos de otimismo, tampouco confiei que se concretizaria. Ronaldo é decadente, eleito ora pior jogador, ora decepção do campeonato. Uma decadência que custaria muito caro ao Flamengo. Certamente Ronaldo viria para receber e não jogar, afinal quando não está contundido está gordo. Seu salário facilmente pagaria mais de um jogador, no sentido fiel da palavra. Despedício de dinheiro, em outras palavras.

Foi bom não ter vindo. O Milan, sim, tem dinheiro para pagar apenas por nomes no plantel, e burrice suficiente para fazê-lo.